Verdades que legitimam a pregação
de Jesus Cristo
“De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir
pela palavra de Deus” (Romanos 10:17). E o próprio Cristo afirma: “As palavras
que eu vos disse são espírito e vida” (João 6:63). Essas declarações revelam
uma verdade fundamental: a palavra de Deus não se limita ao campo da linguagem
humana, mas é portadora de uma realidade espiritual viva, eficaz e
transformadora. Quando Jesus fala, não apenas comunica ideias, mas revela a
estrutura profunda da realidade espiritual que sustenta toda a existência.
O mundo material, embora concreto e
perceptível, não é autossuficiente. Ele existe como reflexo e consequência de
uma realidade mais profunda: o mundo espiritual. Negar a existência do mundo
material não o faz desaparecer; suas leis continuam operando independentemente
de nossa crença. No entanto, negar a realidade espiritual levanta um dilema
muito mais grave: como explicar a existência da alma humana, da consciência, da
moralidade e do anseio universal pela eternidade? Reduzir o ser humano a um
mero acidente biológico, seria admitir que a vida, com toda a sua complexidade
e significado, é fruto de coincidências improváveis e sem propósito último.
Enquanto o mundo material é regido por leis
sensoriais, formas mensuráveis e configurações tangíveis, a realidade
espiritual habita um plano distinto, inacessível aos métodos empíricos. O
espiritual não pode ser medido, pesado ou observado por instrumentos
científicos, justamente porque transcende a matéria. A dificuldade humana em
perceber o sagrado não decorre da ausência de evidências, mas de uma disposição
interior corrompida pelo “espírito de rebeldia”: uma inclinação ao
materialismo, à vaidade e à autossuficiência que obscurece a percepção da
eternidade.
A realidade material é observável,
consistente e suscetível às leis naturais. Já a realidade espiritual está além
de qualquer discrição sensorial. Ela não pode ser percebida pelos olhos
naturais, pois o espírito humano, quando dominado por uma mentalidade
materialista e rebelde, torna-se incapaz de discernir o que é eterno. Não se
trata de falta de razão, mas de uma limitação espiritual que afeta a própria
forma como interpretamos o mundo.
Poderíamos elencar inúmeros motivos para
rejeitar a centralidade do mundo material e muitos outros para desejar a
realidade espiritual. Contudo, destacarei
um motivo essencial
para rejeitar o mundo material e três razões fundamentais para
aceitar a mensagem de Jesus Cristo.
O principal motivo
para rejeitar o mundo material
•
A finitude da
existência: viver não é fácil. Mesmo nas melhores condições
financeiras, emocionais ou físicas, nenhuma delas é capaz de garantir segurança
absoluta, tranquilidade duradoura ou paz verdadeira. A genética, as
enfermidades, as dores e a violência inerentes a este mundo revelam a
fragilidade da vida material. Tudo o que é material está sujeito à deterioração
e ao fim. A consciência dessa finitude expõe a insuficiência do mundo material
como fonte última de sentido e esperança.
Três motivos para aceitar
a pregação de Jesus Cristo
•
A vida eterna como
verdadeiro conhecimento: “E a vida eterna é esta: que te
conheçam a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste”
(João 17:3). A vida eterna não é apenas uma promessa futura, mas uma relação
viva com Deus, iniciada já no presente.
•
Cristo como único
caminho à verdade e à vida: “Eu sou o caminho, a verdade e a
vida” (João 14:6). Jesus não se apresenta como um mestre entre outros, mas como
o acesso exclusivo ao Pai. Nele estão a verdade absoluta, a salvação e a
plenitude da vida.
•
A passagem da morte
para a vida: “Quem ouve a minha palavra e crê naquele que me
enviou tem a vida eterna e não entrará em condenação, mas passou da morte para
a vida” (João 5:24). A fé em Cristo rompe o domínio da morte espiritual e
inaugura uma nova condição existencial.
Conclusão
Jesus revela o plano redentor de Deus como
um resgate. A salvação não é resultado do esforço humano, mas um dom gratuito
da graça divina (Efésios 2:8). Crer em Cristo é reconhecer que o mundo visível
é apenas uma sombra transitória, enquanto a verdadeira luz procede de um Reino
eterno, incorruptível e sem fim. A primazia do Espírito não nega a realidade do
mundo material, mas o coloca em seu devido lugar: como sinal passageiro de uma
realidade eterna que só pode ser plenamente encontrada em Deus.
Roberto
Sant























