O Cristão e a Celebração do Ano Novo:
Uma
Perspectiva Bíblica
Para o
cristão, qualquer tomada de posição ou análise de costumes deve partir de uma
postura dirigente e prudente: a
consulta à Palavra de Deus. A Bíblia não é apenas um livro histórico, mas a
"lâmpada para os pés" que ilumina as tradições humanas à luz da
verdade eterna.
1. A Origem Histórica vs. O Calendário Bíblico
Embora a
Bíblia descreva diversas festas e celebrações, todas possuem um caráter
central: a gratidão e a adoração exclusiva a Deus. O "Ano
Novo" celebrado em 1º de janeiro não encontra respaldo nas Escrituras como
uma ordenança religiosa.
Historicamente,
essa data possui raízes profundas no paganismo. A tradição de celebrar a
renovação da natureza remonta à Mesopotâmia (c. 2000 a.C.), mas a fixação do
dia 1º de janeiro foi uma decisão política e religiosa dos romanos. Júlio César,
em 46 a.C., dedicou o dia a Jano, o deus dos portões e das transições
(origem do nome "Janeiro"), que possuía duas faces, uma olhando para
o passado e outra para o futuro.
Embora o
calendário Gregoriano (século XVI) tenha consolidado a data para fins civis e
organizacionais na maior parte do mundo, é fundamental que o cristão compreenda
que a mística em torno desta virada de ano é uma construção cultural humana, e
não um mandamento divino.
2. Ciclos Espirituais e a Renovação Diária
A Bíblia
não ignora a passagem do tempo; pelo contrário, ela ensina que Deus é o Senhor
da história. No Antigo Testamento, o povo de Israel celebrava o Rosh Hashaná,
mas o foco era o arrependimento, o toque das trombetas e a soberania de Deus, e
não a festividade recreativa comum aos povos vizinhos.
A grande
diferenciação cristã reside na frequência da renovação:
- Renovação Contínua: Enquanto o mundo espera 365
dias para "recomeçar", a Bíblia nos convida à santificação
diária. Lamentações 3:22-23 afirma que "as misericórdias do Senhor
se renovam cada manhã".
- Identidade em Cristo: Em 2 Coríntios 5:17, lemos
que, se alguém está em Cristo, "nova criatura é; as coisas velhas
já passaram; eis que tudo se fez novo". A verdadeira
"virada" na vida do homem não ocorre no calendário, mas no
encontro com Jesus.
- Sabedoria no Tempo: O Salmo 90:12 nos exorta: "Ensina-nos
a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio". Isso
significa valorizar cada dia como uma oportunidade de glorificar a Deus, e
não apenas o primeiro dia do ano.
3. O Propósito e a Liberdade Cristã
O cristão
vive no mundo, mas não pertence ao sistema de valores do mundo (João 17:16). A
decisão de comemorar ou não a passagem de ano entra no campo da liberdade
cristã e da consciência individual.
No
entanto, essa liberdade deve ser exercida com propósito:
- Gratidão: Usar a data para refletir
sobre a fidelidade de Deus no ano que passou.
- Consagração: Reafirmar os planos sob a
soberania divina (Jeremias 29:11), reconhecendo que o futuro pertence a
Ele.
- Testemunho: Evitar os excessos e as
superstições comuns nesta época (como o uso de cores específicas para
atrair "sorte"), mantendo a confiança apenas nas promessas
bíblicas.
Conclusão
O nosso
compromisso com a renovação é um exercício espiritual diário e metabólico (João
3:4-6). O cristão não deposita sua esperança em uma mudança de dígito no
calendário, mas na figura de Jesus Cristo. Ele é o Alfa e o Ômega, o princípio
e o fim. Que a nossa vida seja uma celebração constante da Sua graça,
alimentando a alma e fortalecendo o corpo para o serviço do Seu Reino, hoje e
em todos os dias que Ele nos conceder.
Roberto Sant












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