Escolho crer em Jesus
Como
escrever sobre esperança quando tudo ao redor parece desabar? Quando o
noticiário anuncia tragédias, quando a violência se multiplica, quando a dor
atravessa lares e corações? O sol continua a brilhar, mas meus olhos, cansados
de tanto chorar, já não conseguem enxergar sua luz com a mesma nitidez. O mundo
parece envolto em sombras e, por vezes, a minha alma também.
Ainda assim, é justamente nesse
cenário de desolação que a esperança revela seu verdadeiro significado. Ela não
nasce da ausência de sofrimento, mas da presença de um Salvador. Graças a Deus,
Jesus Cristo veio ao mundo. Não como um
rei distante, alheio às dores humanas, mas como homem de carne e osso,
participante das nossas aflições. Em Seu amor, encontro abrigo quando tudo
parece ruir. Em Suas promessas, encontro paz quando o medo me cerca. Em Sua
salvação, encontro vida e não qualquer
vida, mas vida em abundância.
É difícil conciliar eternidade com
mortalidade, espiritualidade com materialidade. Somos frágeis, limitados,
presos ao tempo, enquanto Ele é eterno. Nossa visão é curta; a d’Ele, infinita.
Sem Cristo, reconheço que me torno um poço de lamentação e temor. Temo o
presente incerto e o futuro desconhecido. Questiono minha própria fé: será que
é firme ou apenas frágil convicção? Recebo Sua graça, mas continuo a sofrer.
Confesso a cruz, mas hesito em carregar a minha. Oro pedindo forças, mas
desfaleço ao primeiro cravo.
No entanto, o Senhor da existência
aceitou a cruz por amor. Aquele que criou o mundo escolheu morrer por ele. Seu
sofrimento foi incomparável, sua entrega, absoluta. Diante disso, meus fardos
parecem pequenos, mas ainda doem. A dor
humana não se mede apenas pela comparação, mas pela intensidade com que fere o
coração. Sofro por mim, mas sofro ainda mais ao ver a angústia daqueles que
amo. A carne é fraca, e o sofrimento insiste em permanecer.
É nesse conflito que minha oração se
intensifica: Senhor, faz cessar tanta dor! Sei que Teu Reino não é deste mundo
e que há promessas futuras para os que Te seguem. Sei que há planos maiores do
que consigo compreender. Mas minha alma clama por intervenção agora. Minha
agonia não é teórica, é presente. Meu choro é real. Preciso da Tua misericórdia
hoje, preciso que entres na minha história e transformes o que parece
irreversível.
Talvez a esperança não seja a ausência de
lágrimas, mas a certeza de que elas não são ignoradas. Talvez a fé não seja
nunca cair, mas sempre voltar-se para Aquele que sustenta. E mesmo quando minha
voz vacila, quando minha confiança enfraquece, ainda assim escolho crer: a dor
não terá a última palavra. O amor de Cristo terá.
Amém.
Roberto Sant


















